MATERNIDADE
X NOVO MILÊNIO
1930
– Antonia, 14 anos, foi expulsa de casa. Se matou ,
pois dera à luz a um bebê e seus pais não
aceitaram. Ela passou os nove meses apertando a barriga e
ninguém percebeu. Em 1930 os pais não percebiam
os filhos.
1950
– Alice estava com 15 anos e morria após um aborto
feito nessas clínicas clandestinas.
1960
– Raimunda teve uma hemorragia séria pois enfiou
talo de mamona na vagina para provocar um aborto e teve o
útero perfurado.
Na década
de 50 surgiu a famosa pílula anticoncepcional. Foi
um marco. Início, bem início da libertação
sexual da mulher. Pois daí por diante, poderia fazer-se
amor a vontade, sem a culpa da gravidez indesejada.
Tudo bem, valia
tudo. Transar, transar e transar, os pais não ficariam
nem sabendo, que beleza! As casadas poderiam planejar a sua
família de acordo com suas possibilidades.
Simultaneamente
foram surgindo as publicações com temas variados,
décadas após décadas. A mídia
abrindo o “verbo”, colocando tudo à mostra.
Chegamos em
fim a era da informática, onde a juventude acessa a
tudo, onde qualquer pessoa pode buscar qualquer conhecimento.
Já existe inúmeros métodos de anticoncepção
e a informação vem de todos os veículos
de comunicação, inclusive revistas especificamente
para pré, adolescentes e jovens.
Lindo! Penso
eu que nasci em 1956 e não tive acesso fácil
às informações. Maravilhoso, fico eu
pensando cá com meus botões. Esses jovens sabem
tudo, falam abertamente uns com os outros, não têm
mais que fingir o que não sentem. Não têm
culpa por amar e serem amados, não precisam sabotar
a sexualidade, podem agir com sabedoria e consciência.
Porém, qual não é a minha estupefação
quando vejo várias jovens de 13 a 17 anos grávidas,
sem a menor condição de cuidar de sua vida,
quanto mais cuidar com responsabilidade.
Essa
responsabilidade tem aspectos psíquicos, físicos,
espirituais e sociais. Sim isso mesmo, cada casal tem o dever
de cuidar da criança que gerou, sobre os vários
aspectos acima citados.
E o que vemos
em pleno milênio novo, na nova era, no auge da informação?
Meninas, por que com treze anos muitas têm até
corpo de moça, mas cabeça de menina. Elas engravidam,
por quê? Será que perderam a visão de
futuro? Será que não brincaram de bonecas? Será
não têm, não vem nem ouvem a mídia?
Será que pensam o quê, essas jovens?
Não
pensem que são só jovens economicamente carentes
que passam por esta fase. As jovens de outras camadas sociais
também passam por isso. Algumas não vão
contar aos pais das crianças; outras não sabem
exatamente quem são os pais; umas não querem
casar, vão ter o bebê e criar na casa dos pais;
umas querem casar, mas não têm condições
e por aí vai. Cada caso tem uma solução
adequada, arranjada para acomodar a situação.
Em tese, diminuíram
os casos de abortos; os pais dos jovens estão encarando
a gravidez com mais naturalidade pois consideram um mal menor
diante de tantos hábitos que estão acontecendo
com conseqüências sociais graves.
Mas o que está
havendo com os jovens com tantos acessos? Por que se drogam?
Por que não usam preservativos, visto que cresce as
DSTS (Doenças Sexualmente Transmissíveis) Por
que? Por que?
Penso que chegou
o momento para voltarmos nossas atenções as
pessoas desde tenra idade. Investindo numa educação
voltada para a árvore e a floresta, uma educação
voltada para o todo material e espiritual; uma educação
“olho no olho”, ouvindo o inaudível, vendo
e sentindo o invisível, ver a pessoa do físico
contextualizando-a na existência na essência espiritual.
Está na hora de explicar a responsabilidade espiritual
de cada um, para que estas pessoas cresçam individualmente
e na comunidade. Para que essas pessoas possam gerar vidas
com luz própria dentro da universalidade.
Meus queridos, devemos saber que quem dá a luz tem
a missão de cuidar para que ela não se apague
neste universo conturbado.
Professora Tânia Cristina Pimentel Barbosa
Reportagem publicada no “Jornal Insight”
Ano I – nº. 2 / Maio de 2002
|